Um dia depois da vitória de Nicolás Maduro na eleição venezuelana, jornalista lança documentário mostrando o drama humanitário no país;

O cineasta baiano Dado Galvão inicia uma peregrinação por Roraima, nesta segunda-feira (21). Ele vai apresentar o documentário “Missão Ushuaia – Venezuela”, produzido em parceria com o fotógrafo paraibano Arlen Cezar e o jornalista venezuelano Carlos Javier, retratando o cenário político e humanitário no país vizinho. Na fronteira, Roraima é o estado brasileiro com maior número de imigrantes venezuelanos.
O documentário tem como tema o ativismo humanitário, enfocando a guerra cível, a falência do estado, a ditadura governamental, as violações dos direitos e a extrema miséria. Em agosto do ano passado, o Mercosul suspendeu a Venezuela aplicando o Protocolo de Ushuaia, um acordo que autoriza o bloco afastar um de seus membros se comprovada “ruptura da ordem constitucional”. VÍDEO:

Fonte: Youtube
Um estudo da ONG Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos, relata uma série de prisões arbitrárias de ativitas rivais ao governo de Nicolás Maduro. Segundo a organização, na onda de protestos realizados no ano passado, foram registradas, pelo menos, 124 mortes. A Human Rights Watch denunciou os casos em vídeos postados nas suas redes sociais, pedindo a libertação dos presos políticos.
Dezesseis casos de violações dos direitos humanos são contados no livro Testemunhos da Repressão, de Carlos Javier. Os relatos são de torturas nas prisões e mais 49 mortes ocorridas em cativeiros. Em 2015, Javier recebeu de Dado Galvão uma bandeira do Mercosul, juntamente com o pedido do cineasta para que fossem recolhidas nela as assinaturas e mensagens dos venezuelanos. Esta semana, Javier chega ao Brasil trazendo de volta a bandeira com os manifestos dos seus compatriotas.
Na última sexta (18), Galvão também recolheu cartas e gravações em vídeo de estudantes do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, no município de Jequié, no sudoeste da Bahia, cujo conteúdo faz uma reflexão sobre o drama vivido pelos refugiados venezuelanos em Roraima. O material será exposto junto com a bandeira e o documentário.
O Exército já autorizou o trio percorrer os acampamentos de refugiados venezuelanos no estado, onde eles vão fazer novas filmagens. O material final deve ser entregue às autoridades dos países-membros do Mercosul, visando maior visibilidade aos presos políticos na Venezuela.
Um dos apoiadores da Missão Ushuaia é o parlamentar representante da Argentina no bloco, Humberto Benedetto. No ano passado, Benedetto apresentou um projeto recomendando ao parlamento do Mercosul a ajuda humanitária urgente aos venezuelanos. Já este ano, o parlamentar está pleiteando o projeto que declara a obra cinematográfica Missão Ushuaia como de interesse cultural e humanitário. Leia abaixo a entrevista que o político argentino concedeu ao Portal Viu!
ENTREVISTA / HUMBERTO BENEDETTO 
Deputado Humberto Benedetto | Foto: Divulgação
O senhor é autor do projeto que declara de interesse cultural e humanitário a obra Missão Ushuaia. Como está o andamento da votação desta proposta no Parlamento do Mercosul?
HUMBERTO BENEDETTO (HB) – O projeto está na Comissão de Cultura parlamentar. Esta comissão teve problemas para se reunir, por falta de quórum.
 Qual a importância desta iniciativa do cineasta brasileiro Dado Galvão?
HB – A iniciativa do Dado Galvão nos pareceu muito interessante, por isso tem o apoio de vários parlamentares. Mas, muitos parlamentares consideram que os acontecimentos na Venezuela é algo bom. Os membros do chamado bloco progressista integrado, com grandes nomes do Uruguai, do Paraguai, do Brasil, a Frente da Vitória da Argentina e os chavistas da Venezuela compõem a maioria no parlamento. Então, entendemos que será um duro debate aprová-lo [o projeto].
Então, a expectativa é do projeto não ser aprovado, certo?
HB – O parlamento já aprovou um projeto que apresentei de ajuda humanitária, através do Mercosul, ao povo venezuelano. E há sempre um debate sobre a Venezuela. Também é verdade que muitos membros do parlamento querem aproveitar outros projetos que foram adiados por muito tempo em função dos debates sobre a Venezuela. A situação da oposição parlamentar venezuelana, que não pode comparecer porque não tem salários ou despesas de viagem cobertas pelo governo, torna difícil para o Parlasur, mesmo aqueles que podem pagar suas despesas, tendem a temer problemas na fronteira para deixar o país, porque eles têm os passaportes apreendidos.
Qual foi projeto que o senhor conseguiu aprovar no parlamento para ajuda humanitária?  HB – Um projeto de recomendação ao mercado comum do Mercosul para implementar ajuda humanitária urgente, em matéria de alimentos e suprimentos médicos, foi aprovado no ano passado. Foi o único [projeto] que conseguimos ganhar a votação sobre o tema Venezuela.
Este projeto é da autoria do senhor?
HB – Sim, minha autoria.
E quanto as eleições na Venezuela, qual a análise do senhor?
HB – As eleições ocorrem com menos transparência que o petróleo que [Nicolas] Maduro negocia com os Estados Unidos. Com grande parte da sua população no exterior, refugiada ou exilada, e os candidatos de Chávez como oposição, as eleições representam uma farsa em que, infelizmente, os verdadeiros partidos da oposição não podem participar e os líderes autênticos, como Lopez, estão na cadeia. A Venezuela tem como objetivo ser uma nova Cuba, em termos de democracia, e um país em declínio, em termos de economia. As eleições deveriam ser condenadas e ignoradas,  ações concretas deveriam ser tomadas, visando a retomada da democracia na Venezuela.
Que tipo de ações concretas?
HB – É difícil propor ações como um bloqueio comercial à Venezuela, por exemplo, porque isso prejudicaria ainda mais o povo venezuelano. Mas, as ações poderiam ser generalizadas em termos de congelamento dos ativos dos membros do governo Maduro em todos os países. E definir ações internacionais, com foco na Venezuela, na questão do narcotráfico, buscando resultados mais eficazes sobre esses bens.